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um lugar pra chamar de seu.

05/01/2011

Numa conversa com um amigo, erradicado por agora em Lisboa (ah lisboa), que está no Brasil por essas coisas de fim de ano, perguntei se ele já tava sentindo saudades da casa portuguesa e ele respondeu, sem dúvidas nem gaguejos um sonoro não. E me lembrei que de fato, era só o primeiro ano, e no primeiro ano a gente não sente saudades da terra nova. Mas o avisei que esperasse o segundo, porque na segunda volta,  a saudades do lugar que te abriga aparece, e ele teria saudades lisboetas.

Hoje outro  amigo me contava que, pela primeira vez, sentiu saudades de Brasìlia enquanto estava fora… fiquei pensando nisso. Eu ainda não, eu ainda não tenho saudades de Brasília, tenho saudades da minha casa (isso sim em Brasìlia foi rápido, achar o lugar que chamar de casa) mas não da cidade. Me contentei com voltar para Brasília sem tristeza, coisa que só aconteceu depois de 6 meses.

Fiquei lembrando da primeira vez que senti saudades de Madrid. Era fim de ano, em São Paulo, na praia, toda família reunida, sol mar e caipirinha, mil acontecimentos que seguravam meu coração ali onde estava meu corpo e em um momento, dentro do mar veio um sopro pequeno que ao mesmo tempo molhou meus olhos e abriu um leve sorriso contido. Estava ali, pensando ao mesmo tempo na cidade, na minha cidade e minhas pessoas, e aquela cidade era Madrid. A partir de então virei bigama, e tinha saudades de São Paulo em Madrid e de Madrid em São Paulo e nada poderia ser melhor que ter dois amores permitidos. Ainda que, confessar aos meus paulistas favoritos a saudades da outra, tenha levado algum tempo. E continuo “extrañándola a diario” e não tem dia que não lembre de alguma rua, algum bar, um grafite, uma janela, um detalhe que for da castiza.

Aqui em Brasília, quase dois anos depois da volta tive um sopro meio diferente ao lembrar de Jakarta… Incrivelmente a detestada cidade no meio do mais incrível país, quase dois anos depois, ganhou um pedacinho de amor e saudades. E me deu vontade de voltar, e devorar a cidade do jeito que não fiz da primeira vez, e entender a beleza no meio da feiura e do caos, (coisa que deveria ser especialidade de qualquer paulista apaixonada como eu) e me acabar até sair de lá chamando aquela de minha outra cidade.

No fim comentava com meu amigo, o saudoso de Brasília, que a gente só tem saudades daquilo que conquistou, daquilo que dá pra chamar de teu, e daquilo que pode te chamar de seu. E vim pra casa feliz de ter duas minhas cidades no mundo.

 

 

 

Um comentário

  1. Te quedó hermoso!



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